Postado por: sad clown | 16 Setembro, 2008

fim.

venha logo sem demora
dez quilômetros e nem uma hora
pés calejados; cansaço penitente
bigode melado, suor e (o) eu ausente.

ego e solidão.

na cama o vazio que plantara

divido-me ainda sobre o que acreditar
duvido da ousadia deste canalha
que insiste em colocar culpa em “egos”
pelos males que cria.

o muro está repleto de interrogações
exclamações de realidades múltiplas também.

quem sou? o que tornei-me?

posso então acreditar que sou santo e privar-me do que amo (e gosto) ou continuar, quem sabe, vivendo à sombra de “meu ego” que talvez não exista, muito embora eu queira matá-lo?

Ah Deus, exista por favor e tira-me deste pecado que é viver.
ou apenas viva-me sem pecados e não exista para não tirar-me de lugar algum.

[último ato]

Este espetáculo não existe!
narro o real, a monotonia.

viver para isso jamais

o lápis fosco arranha a audição de meus amigos
então vou-me como cheguei: sem avisos.

na quietude do que nunca existiu de verdade
e de quem você nunca conheceu..

Postado por: sad clown | 13 Setembro, 2008

minha cachaça é outra..

O ego arranha; soca, estremece.
chateia-se com quem luta contra.

fiz o que deveria fazer.

sóbrio, tranquilo mas nem tão calmo assim.
Ele ainda causa angústia. Medo. Dores de cabeça.

o analgésico medita por mim.
e causo arrepios; decepções. (e estas, embriaguês)

um dia ela entenderá… Elas entenderão!

não sou quem pensam - indago ao espelho.
pois em suas faces meigas jamais tive coragem.

agora fingem ignorar alguém que acreditam estar magoando.
de menos, para quem sempre foi ignorado.
no fundo estão. mas não ao ego ordinário que insiste em querer mal meu.

peço para que repareis este verdadeiro ser aqui. (aquele mocinho com cara de triste e uma bomba atômica de emoções dentro do peito)
seus egos as impedem. (eu entendo)

somos parte desse jogo. o jogo do quem precisa menos de outréns.

amém!

sou assim não.
até sou.
quero é não ser.

o fim não existe; tal qual o início. isso criamos para alimentar o que nos consome.
nasce deste estrume o belo. vê quem quer. (ou na hora certa)

por isso o “este não é o momento” neste momento.
não quero que vós sintais o que sinto e passeis pelo que passo; passei…

e passaria a vida, não fizeste o que fiz: a verdade.
singela e magoante.

o abrir mão também é amor. e com amor, despeço-me, lindas donzelas.

Postado por: sad clown | 9 Setembro, 2008

clap so, wrap-up..

pergunta-me o que é a vida daqui há 20 anos.
talvez não precise tanto..

todo o chiado que vivemos nestes dois mil e alguma coisa relfetem a sombria humanidade que reina.
que não consegue ficar sóbria e sadia neste cercado que é a vida.

a vida é tão pouco, e é viciante.
passamos anos achando ser algo que depois de um tempo torna-se rejeitado; e novas idéias de vida criamos para não desistir do jogo. novos personagens, novos objetivos, novas vidas.

é tudo mentira.

e nós, seres tão pequenos, ainda criamos tantos outros jogos pela manipulação de quem nos joga.

tudo o que parece estar em seu devido lugar, olhando mais de perto, perfeição não existe.

entro em becos de terra que levam à casas humildes de pessoas gananciosas.
mais egoísta é o que tudo quer.

este é você.

ignora-me quando aclamo por socorro.
converso com plantas que talvez sintam apenas piedade pelas ondas sonoras melancólicas de minha voz.

a vida é o amor próprio.
ou a falta deste.

nós não existimos de verdade.
dor, endorfina, dopamina

falta serotonina.
falta alguém.

talvez ela exista, como já existiu.

o medo de amar número novecentos e noventa luta contra quem eu gostaria de ser.

impiedosamente ferem meu coração.
e choro nos ombros virtuais de pessoas que me gostam.

você não está vivo.
e não está lendo isso agora.

porque eu nunca existi

mas aproveite e usa-me como adubo para sua falsa-vidinha-feliz.

Postado por: sad clown | 7 Setembro, 2008

domingo, 5:15..

não estou profundamente bêbado.
e não fumei um cigarro.
tampouco outréns.
respiro com nitidez.

estou feliz.

e esta transpareceu no abraço dado à um amigo bêbado.
e no sorriso sem vergonha para alguém que gosto.

o gostar magoa.

tenho uma maldita pretenção em mim como a de qualquer outro bajulado.
meus pouquinhos page views diários fazem-me assim.

e perpetuam próclises, mesóclises e ênclises em cada frase; cada estrofe do que antes era só meu.

não escrevo para mim. não mais.

sou um lixo que agora é também observado por não sei quem além dos velhos vizinhos e suas lunetas.

mas continuo sendo eu.

o renegar de personagens também é uma atuação.
o agradar de pessoas, uma necessidade.

talvez um dia o natural se aflore; e esta liderança tão requisitada apareça.

hoje apenas quero dormir e sonhar. sem hábitos e diazepínicos.

domingo, 5:29…
cheguei cedo.

Postado por: sad clown | 4 Setembro, 2008

perdoa-me por matar-me.. (ou “ressaca de minhas escritas..”)

não escrevo mentiras
eu as vivo.
e convivo todos os dias com o pior da raça humana: depressão.

meu egocentrismo é como o de qualquer outro suicida
mas minhas escritas não ouso chamar de poema.
presunção.

crio situações que me deixam nos extremos das emoções; das sensações.
e as guardo.

[contenho, e isso me consome]
tal como o ar que vezes busco sem êxito
pelos pulmões fragilizados por tragos e aspirações.

e aspiro não continuar seguindo estes passos.
correndo raramente atrás de sonhos quase mortos. não é assim.

vivo a vida na prática. sem livrinhos, musiquinhas e teorias.

tenho meus personagens, assim como você. alguns agradam, outros não.

aprendi que tudo o que é bom fica e o que for verdadeiro, prevalecerá sempre sobre quaisquer outros fatores.

se algo não pode mais ser dito, as atitudes falarão.

e assim iremos vivendo.

nada se aprende sem humildade, assim como não há perdão sem arrependimento. pois o erro, este sempre acontecerá, afinal, imperfeitos somos.

isso não é um “filtro solar” auto-ajudante, tampouco uma biografia pretenciosa pseudo-penitente. é uma história de uma vida que talvez não lhe interesse, de um ser que talvez você não conheça de verdade.

Depois que eu morrer, alguem saberá quem eu fui como pessoa?

Eu perdôo todos que me fizeram sofrer, inclusive quem eu pensava odiar.

Será que alguém me perdoaria por todos os males que já o fiz?

Será que tem alguém pelo menos me ouvindo? (ou lendo isso?)

(adaptado de coquetel molotov encefálico - http://cinemagizechocolate.blogspot.com/2007/04/coquetel-molotov-enceflico.html)

Postado por: sad clown | 21 Agosto, 2008

como ofuscar uma estrela..

conforto exige trabalho.
a paz, esforço.

cultuo uma natureza que não é minha em um espaço que não é meu.
abaixo estão os planos abandonados.

o verde, não é só verde. é queimado de sol
privacidade não existe no calor

improviso o que fazer pois não lidero nem à mim.
pessoas gostariam.

o foco é pensado, anotado, estudado..
nunca exercitado.
tal como a felicidade inexistente que aclama por uma rega.

quem me tornei?

indiferente comigo, calado com os outros.
procuro alguém que não existe para que me leve desta realidade.

e fujo sozinho do meu mundo, em meu mundo
nas velhas canções, velhas escritas e velhos artifícios.

então alguém abre a porta e carrega este perdedor para algo que é meu.
agora tenho paredes
e comigo basto, até o despertar de amanhã.

Postado por: sad clown | 5 Agosto, 2008

o culpado sou eu..

Nem mais o bom me encanta.
Apodreço como o cadáver de minha esperança
Violaram-me!
Enjoado não pelo cheiro somente
Assopro cada pó de aflição.
A água, a pasta, o sabão.
Talvez a amnésia me ajudaria.
Abraço-me, cuspo-me,
Aspiro todo ar puro que consigo

Nenhuma palavra me convenceria
O ter não me enobrece

Nem todo verso é canto
Sou um sujo sem socorro
que limpa o próprio sangue
procurando alguém na madrugada
no seu rápido digitar.

Encontrei-te! Quem tu és?
Sua imagem, quem, pois, mais?
Aturar-te é difícil
entender-lhe, impossível.

Mata-me agora ou matar-te-ei pouco a pouco

Nem mais o bom me encanta

Postado por: sad clown | 23 Julho, 2008

engolindo o choro..

ah, o tempo! este acaba. afeta a todos, sem excessão.
promessas expiram e quebram o azulejo da minha sala de estar.
prossigo no “estando” sozinho e atendendo a campainha que toca.
tocando a melancolia em meus instrumentos surrados.

eis que me pego fugindo deste mundo. do meu mundo.
procurando a solidão que roubaram-me permitidamente.
sou um velho homem violado; explorado.
contudo, o óbvio ninguém enxerga.

choro raramente em minhas verdades ditas cruas
à pessoas que gosto sem a correspondência devida.

o não falar também conjuguo
com a ausência não notada que insisto

e se hoje a raiva queima como o carvão da festa de ontem
desapareço amanhã como a vida que não tinha

e se tinha, não era minha.

Postado por: sad clown | 22 Junho, 2008

muito prazer, desespero..

pés descalços, chinelos sujos, confusão
neste bar só se vende o caos
agonia e fome são servidas aos poucos.

acima de humanos, somos animais
que brigam por cigarros pisados e suas cinzas
mas dividem a mesma latinha e o mesmo canudo

paga-me um lanche então, tio
que eu viverei sem que me notes
assistindo-te neste teatro dramático
lutando por viver em meio a tantos semi-vivos

o frio aperta, os fogos estouram
correria.
enchotam-me às pressas de seus quintais
já não destinguo da realidade as vozes que ouço

algo que jamais imaginei sentir
a dor, a culpa, o fim de tudo
um coração sem ritmo guiado pelo estalar das balas
juro amanhã mudar.

rezo à um Deus que não acredito.
a espectativa de um sofrimento iminente torna-se uma tortura
ironicamente quero de volta a vida que abandonei em algum lugar

o fundo do poço agora é real
antes eu diria que ele não existe; que tudo pode sempre ficar pior.
e pode, basta querer.

queres?

Postado por: sad clown | 7 Junho, 2008

refrigério..

Amigos dispensados
animais em luto
quando o mal entra, dinheiro é o de menos
enxaqueca.

tudo o que fica é o falso orgulho
o que vai é a vida
não importa,
ela sempre irá..

o choro angustiado é silencioso
dentro explode a maior das bombas:
o amor!
ou melhor, a falta deste

lágrimas verdadeiras ou falsas, tanto faz
a sombra me assombra.
dos cacos às latas, ignoro

usaram-me permitidamente
a boca fechada tornou-me cego
de cego, conivente;
cúmplice do que não faço parte

manipulações descobertas, acusações trocadas.
de amigos, solitários.

e a sede aumenta.
urina seria lucro

a dor dos outros importa-me sim
por mais que a minha não lhes importe

triste fim de um dia que não deveria ter existido.

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