venha logo sem demora
dez quilômetros e nem uma hora
pés calejados; cansaço penitente
bigode melado, suor e (o) eu ausente.
ego e solidão.
na cama o vazio que plantara
divido-me ainda sobre o que acreditar
duvido da ousadia deste canalha
que insiste em colocar culpa em “egos”
pelos males que cria.
o muro está repleto de interrogações
exclamações de realidades múltiplas também.
quem sou? o que tornei-me?
posso então acreditar que sou santo e privar-me do que amo (e gosto) ou continuar, quem sabe, vivendo à sombra de “meu ego” que talvez não exista, muito embora eu queira matá-lo?
Ah Deus, exista por favor e tira-me deste pecado que é viver.
ou apenas viva-me sem pecados e não exista para não tirar-me de lugar algum.
[último ato]
Este espetáculo não existe!
narro o real, a monotonia.
viver para isso jamais
o lápis fosco arranha a audição de meus amigos
então vou-me como cheguei: sem avisos.
na quietude do que nunca existiu de verdade
e de quem você nunca conheceu..