pés descalços, chinelos sujos, confusão
neste bar só se vende o caos
agonia e fome são servidas aos poucos.
acima de humanos, somos animais
que brigam por cigarros pisados e suas cinzas
mas dividem a mesma latinha e o mesmo canudo
paga-me um lanche então, tio
que eu viverei sem que me notes
assistindo-te neste teatro dramático
lutando por viver em meio a tantos semi-vivos
o frio aperta, os fogos estouram
correria.
enchotam-me às pressas de seus quintais
já não destinguo da realidade as vozes que ouço
algo que jamais imaginei sentir
a dor, a culpa, o fim de tudo
um coração sem ritmo guiado pelo estalar das balas
juro amanhã mudar.
rezo à um Deus que não acredito.
a espectativa de um sofrimento iminente torna-se uma tortura
ironicamente quero de volta a vida que abandonei em algum lugar
o fundo do poço agora é real
antes eu diria que ele não existe; que tudo pode sempre ficar pior.
e pode, basta querer.
queres?