ah, o tempo! este acaba. afeta a todos, sem excessão.
promessas expiram e quebram o azulejo da minha sala de estar.
prossigo no “estando” sozinho e atendendo a campainha que toca.
tocando a melancolia em meus instrumentos surrados.
eis que me pego fugindo deste mundo. do meu mundo.
procurando a solidão que roubaram-me permitidamente.
sou um velho homem violado; explorado.
contudo, o óbvio ninguém enxerga.
choro raramente em minhas verdades ditas cruas
à pessoas que gosto sem a correspondência devida.
o não falar também conjuguo
com a ausência não notada que insisto
e se hoje a raiva queima como o carvão da festa de ontem
desapareço amanhã como a vida que não tinha
e se tinha, não era minha.